domingo, 11 de setembro de 2016


Memória e paisagem: o plano e o projeto



Hoje é amplo o reconhecimento de que a memória é tão importante para as coletividades humanas, quanto para as pessoas. A memória é por um lado, a base para os processos de desenvolvimento, porto que não há aprendizado individual ou coletivo sem apoio da memória. Por outro lado, a memória é constituidora das identidades sociais, uma vez que uma solida identidade pressupõe o reconhecimento de uma trajetória histórica de constituição dessa identidade. Essa é uma perspectiva tão mais importante quando se considera que as identidades sociais são a base das relações intersubjetivas que se estabelecem entre classes sociais, grupos e pessoas; alimentando os processos de coesão e conflito social.


Essa dimensão da relevância da questão da memória, para  as cidades, traz importantes implicações para a questão da paisagem. Foi Maurice Halbwachs quem indicou que “as imagens habituais do mundo são partes inseparáveis do nosso eu” indicando que a vivência cotidiana dos territórios, por coletividades humanas, torna inseparáveis as imagens do território e os fatos que ali se passaram, enlaçando memória e paisagem de forma indissolúvel. Assim, a paisagem urbana se constitui num elemento fundamental que está na base das memórias coletivas – e, portanto, das identidades sociais – de uma coletividade humana. Nesse sentido, o arquiteto Aldo Rossi, indica que a memória está ligada aos lugares vividos e afirma: “a cidade é a memória coletiva e o lugar da memória”.


Ao mesmo tempo, com o desenvolvimento de produção, reprodução e comunicação de imagem a distancia, dentro do processo de globalização, a dimensão da paisagem ganha lugar central na projeção das cidades “como espetáculo”, no âmbito das mídias globais. Sendo por um lado, suporte da memória, e por outro, base de promoção nas mídias globalizadas, a dupla dimensão da paisagem na cidade contemporânea, interroga a arquitetura e o urbanismo, sobre o projeto e plano enquanto instrumento  capaz de mediar positivamente a relação da paisagem como o dinamismo da cidade contemporânea.
  

Halbwachs, Maurice. “A memória coletiva”. São Paulo: Centauro, 2006.

Rossi, Aldo. “A arquitetura da cidade”.  Lisboa: Edições Cosmos, 1977.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Desenvolvimento: mas o que é desenvolvimento?



Vive-se um momento de crise, sem duvida. Todos entendem que se trata de uma crise porque não há desenvolvimento e entende-se que não há desenvolvimento porque o PIB não cresce.
 
Com a ascensão de uma cultura capitalista a noção de desenvolvimento passou a se associar a ideia de aumento da renda, expressa em indicadores como o PIB (Produto Interno Bruto) e o PIB per capita. Porém, o PIB, ou o PIB per capita, são apenas indicadores de renda, tendo em vista a correlação existente entre renda e desenvolvimento, nas sociedades com economia capitalista.

No entanto, considerando que a renda é apenas um dos possíveis indicadores do desenvolvimento, surgiram outros indicadores de desenvolvimento como o IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano, implementado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), com o objetivo de oferecer um contraponto ao Produto Interno Bruto (PIB) per capita, por ser esse indicador restrito à dimensão econômica do desenvolvimento.

Buscando ampliar a perspectiva de análise do desenvolvimento, a base do calculo do IDH são saúde, educação e renda.[1] Mas, apesar do IDH ser, de fato, uma forma mais precisa de reconhecimento do desenvolvimento, o próprio PNUD reconhece que o IDH não abrange todos os aspectos de desenvolvimento e em função disso outros indicadores foram formulados e considerados pelo PNUD: o Índice de Desenvolvimento Humano Ajustado à Desigualdade (IDHAD), o Índice de Desigualdade de Gênero (IDG) e o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM).

No sentido de refletir sobre a questão do desenvolvimento, para uma compreensão melhor do tema, vale recorrer a formulação de Leslie White quando indica que o objetivo do desenvolvimento é fazer com que “a vida se torne mais segura e duradoura” (White, 2009: 43), ao que pode acrescentar a ideia de uma vida mais satisfatória. Seriam esse os objetivos do desenvolvimento e, aceitando-se esse ponto de vista, o desenvolvimento pode ser visto como um processo progressivo através do qual a sociedade busca uma vida mais segura, mais duradoura e mais satisfatória.

Na verdade, portanto, o PIB apenas sinaliza um provável aumento nas condições que favorecem à existência de uma vida mais segura, mais duradoura e mais satisfatória mas, como do ponto de vista individual, essa perspectiva é reforçada pela experiência cotidiana, ou seja, numa sociedade capitalista quem tem mais dinheiro, tem maiores chances de segurança, longevidade e prazer, reduz-se o debate sobre o desenvolvimento ao problema de aumento do PIB.

Porém, para países e cidades a coisa não se reproduz exatamente do mesmo modo e, nesse sentido, basta lembrar que países e cidades com o mesmo PIB per capita apresentam diferentes condições de segurança, longevidade e prazer para os seus habitantes.


[1] Segundo o site do PNUD esses indicadores são considerados da seguinte forma: uma vida longa e saudável (saúde) é medida pela expectativa de vida; o acesso ao conhecimento (educação) é medido por: i) média de anos de educação de adultos, que é o número médio de anos de educação recebidos durante a vida por pessoas a partir de 25 anos; e ii) a expectativa de anos de escolaridade para crianças na idade de iniciar a vida escolar, que é o número total de anos de escolaridade que um criança na idade de iniciar a vida escolar pode esperar receber se os padrões prevalecentes de taxas de matrículas específicas por idade permanecerem os mesmos durante a vida da criança; e o padrão de vida (renda) é medido pela Renda Nacional Bruta (RNB) per capita expressa em poder de paridade de compra (PPP) constante, em dólar, tendo 2005 como ano de referência. Publicado pela primeira vez em 1990, o índice é calculado anualmente. Fonte: http://www.pnud.org.br/IDH/IDH.aspx?indiceAccordion=0&li=li_IDH

quarta-feira, 10 de junho de 2015

O urbanismo contemporâneo e a memória e identidade coletivas nas cidades


Se a identidade é o que distingue os diferentes, é também a identidade que aproxima os semelhantes. O compartilhamento de uma identidade é um dos elementos que está na base de existência de todas as coletividades humanas. Uma coletividade só pode se constituir com base no compartilhamento de identidades. A identidade uma força que agrega os membros de uma coletividade: classe, religião, cidade, pais ou qualquer outra.

            A identidade é a condição básica para soma de esforços dos indivíduos em torno de objetivo comum e, no sentido oposto, as ações de violência encontram apoio em processos de (des)identificação social: racismo, homofobia, machismo, fascismo, conflitos entre quadrilhas e gangs, guerras, encontram nos processos de (des)identificação, baseados na construção do outro como ser essencialmente diferente, uma importante fonte de energia. A (des)identificação é a base que permite a um ser humano exercer, sem conflito interior, a violência sobre outro ser humano.

A memória é essencial para a identidade, pois sem memória não é possível lembrar quem se é, nem como se chegou a ser quem se é. A identidade está estruturalmente ligada à memória que é um de seus vínculos com a realidade. A memória dá sentido histórico à identidade: é a memória que vincula a identidade ao conjunto de acontecimentos, circunstancias e estruturas históricas que a forjaram.

A cidade é um palimpsesto escrito por diferentes modos de urbanização históricos. O urbanista contemporâneo tem que ser capaz de ler essa escrita, pois ela tem significado para a memória e identidade coletivas. Só sendo capaz de ler essa escrita é que o urbanista contemporâneo será capaz de fortalecer a memória e a identidade coletiva das cidades aonde vier a realizar sua intervenção.

 

sábado, 6 de dezembro de 2014

Lava a jato: as cidades também sofrem com a corrupção

No Brasil convivemos com uma espécie da ‘corrupção legalizada’ que é o financiamento privado de campanhas por empresas. As empresas doam porque doar é investir, e investir dá lucro. Doar para campanhas é uma forma de investimento. Só a proibição do financiamento privado de campanhas eleitorais pode acabar com isso.

Para as cidades isso traz infinitos problemas porque as políticas públicas passam a ser conduzidas por interesses privados: os interesses econômicos de empresas constituem clientelas de políticas publicas, que sustentam bases políticas, que sustentam clientelas de programas governamentais que beneficiam certas empresas.

Os políticos pagam a conta de campanha com má gestão do dinheiro público. Isso é particularmente prejudicial no caso dos preços administrados e subsídios dos serviços das empresas que administram concessões privadas de serviços públicos (transporte, energia elétrica, comunicações, etc).

A solução pra esse caso parece clara: acabar com o finaciamento de campanha por empresas.
Mas além da corrupção legalizada existe a corrupção ilegal, que é aquela onde para superfaturar em contratos as empresas pagam propina. No caso da “Lava a jato” é desse segundo caso que se trata, porque ninguém precisaria do doleiro Alberto Youssef pra fazer doação oficial de campanha.


Esse segundo caso também existe na administração das cidades e pra o remédio e investigação, julgamento e detenção das quadrilhas. 

terça-feira, 29 de julho de 2014

PALESTRA COM NABIL BONDUKI NO IAB RJ: PLANO DIRETOR ESTRATÉGICO DE SÃO PAULO

PALESTRA COM NABIL BONDUKI NO IAB RJ:
PLANO DIRETOR ESTRATÉGICO DE SÃO PAULO

dia 4 de agosto, segunda-feira, 18,30
Rua do Pinheiro 10

 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

II Encontro Brasileiro de Pesquisa em Cultura - 15 a 17 de outubro de 2014

        Numa parceria entre o Programa de Pós-Graduação em Cultura e Territorialidades da Universidade Federal Fluminense (PPCULT / UFF), o Setor de Pesquisa de Políticas Culturais da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), e o Observatório de Economia Criativa do RJ (OBEC-RJ) busca-se reunir pesquisadores de todo país para debater e articular o campo da pesquisa em cultura no Brasil.

Público-alvo:
O encontro está aberto a todos os que fazem pesquisa sobre cultura, dentro e fora das universidades. Ele reunirá pesquisadores acadêmicos de todos os níveis, agentes culturais e gestores públicos que desenvolvam investigações no campo da cultura.

Locais:
Casa de Rui Barbosa – Rua São Clemente, 134 – Botafogo – Rio de Janeiro
IACS-UFF – Rua Lara Vilela, 126 – São Domingos - Niterói


Datas:
CALENDÁRIO PARA SUBMISSÃO DE PROPOSTA PARA AS SESSÕES COORDENADAS:
01/junho a 15/julho – encaminhamento das propostas
11/agosto – divulgação dos trabalhos selecionados

quarta-feira, 28 de maio de 2014

II Jornada Nacional Arquitetur​a, Teatro e Cultura


Data: 19 e 20 de agosto de 2014
Local: UNIRIO: 4a andar do CLA, Av Pasteur 436, Urca, Rio de Janeiro