Raama,
Muito obrigado pelo comentário. Espero que sua leitura do blog seja proveitosa.
Alexsandro,
Valeu a pergunta.
Visitei os blog que você recomendou o http://tarifazero.org/. Achei os debates sobre a tarifa zero muito interessante. De lá fui levado ao sitte http://www.apocalipsemotorizado.net/ e encontrei vídeos divertidos e também interessantes.
Bem, você pergunta sobre a adoção da tarifa zero nos transportes coletivos. Em primeiro lugar, para que isso aconteça é preciso que seja de propriedade Estatal todo o sistema de transporte com tarifa zero. Caso contrário, o Estado estaria financiando o lucro de um grupo privado específico, os donos de empresa de ônibus, porque o lucro é proporcional a demanda e como se pode ver no site que você indicou ( Ver: http://tarifazero.org/2009/08/13/transporte-publico-gratuito-em-hasselt-belgica/ ), a demanda por transporte público aumenta significativamente, quando ele é gratuito.
Por hora é isso que eu tenho a dizer, mas espero no futuro escrever alguma coisa sobre as conseqüências gerais para a cidade da adoção da tarifa zero. O que aconteceria com o custo da terra? Qual seria o impacto sobre o uso do solo O que aconteceria o lucro das empresas?
terça-feira, 31 de agosto de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Os transportes públicos e a população de rua - II
O aumento de número de pessoas dormindo na rua não é a única conseqüência do encarecimento das passagens de ônibus, tema da postagem anterior.
Se os mais pobres acabam não tendo outra saída, se não dormir nas ruas da cidade; do outro lado, aqueles que tem condições passam a usar o automóvel, pois fica até mais barato ir de carro, dependendo da distancia e possibilidade de estacionamento.
Com o aumento do número de carros nas ruas, o transito das cidades piora. Se o número de passageiros cai e o transito piora, o lucro das empresas de ônibus se reduz. As empresas de ônibus passam então a fazer pressão por novos aumentos de tarifa. Com o novo aumento da tarifa mais gente dorme na rua e mais gente sai de carro. É um circulo vicioso.
Um circulo vicioso que traz danos para a toda a cidade. Mais pessoas dormindo nas ruas; tarifas de transporte mais altas; transito mais lento; mais poluição: queda da qualidade de vida e da produtividade urbana, com prejuízo para todas as famílias e empresas.
Para as metrópoles brasileiras é decisivo romper com esse ciclo vicioso e o caminho parece ser a gestão pública do transporte publico.
Obs: Sobre essa questão dos transportes públicos veja também, neste blog, as postagens de 18 de abril de 2009 e 28 de abril de 2009.
Se os mais pobres acabam não tendo outra saída, se não dormir nas ruas da cidade; do outro lado, aqueles que tem condições passam a usar o automóvel, pois fica até mais barato ir de carro, dependendo da distancia e possibilidade de estacionamento.
Com o aumento do número de carros nas ruas, o transito das cidades piora. Se o número de passageiros cai e o transito piora, o lucro das empresas de ônibus se reduz. As empresas de ônibus passam então a fazer pressão por novos aumentos de tarifa. Com o novo aumento da tarifa mais gente dorme na rua e mais gente sai de carro. É um circulo vicioso.
Um circulo vicioso que traz danos para a toda a cidade. Mais pessoas dormindo nas ruas; tarifas de transporte mais altas; transito mais lento; mais poluição: queda da qualidade de vida e da produtividade urbana, com prejuízo para todas as famílias e empresas.
Para as metrópoles brasileiras é decisivo romper com esse ciclo vicioso e o caminho parece ser a gestão pública do transporte publico.
Obs: Sobre essa questão dos transportes públicos veja também, neste blog, as postagens de 18 de abril de 2009 e 28 de abril de 2009.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Os transportes públicos e a população que dorme na rua - I.
O jornal O GLOBO (17/8/2010) informa que “pelo menos 37 milhões de brasileiros ficam sem o dinheiro da passagem para voltar para casa”, porque os preços das passagens dos transportes públicos tem um peso excessivo no orçamento familiar. A estratégia utilizada então por esses trabalhadores pobres é dormir na rua.
É comum ver alguém reclamando das pessoas dormindo da rua. Os setores ligados ao turismo, por exemplo, costumam afirmar que pessoas dormindo na rua produzem uma cena que choca o turista. Com esses estudos fica claro: quem reclama do número de pessoas dormindo na rua deveria reclamar do preço das passagens do transporte público, pois o aumento de numero de pessoas dormindo nas ruas é conseqüência imediata do aumento do valor das passagens dos transportes públicos.
O quadro que choca o turista: pessoas dormindo na rua, sem condições sanitárias, com o comprometimento da dignidade humana, de seu direito d ir e vir, é efetivamente um escândalo social e político.
Como resolver o problema?
Subsidiar as passagens é injusto socialmente e moralmente indecente porque significa transferir renda do conjunto da coletividade para o lucro do setor de transporte, que lucra com o serviço que presta.
A justificativa usada para privatizar serviços públicos foi a de que o mercado seria capaz de alocar os recursos melhor que o Estado. No entanto, fica evidente que a lucratividade das empresas de transporte público é incompatível com condições básicas de cidadania.
Os transportes públicos representam hoje um gargalo para o desenvolvimento das metrópoles e grandes cidades, que produzem mais de 80% do PIB nacional. A qualidade do transporte público não é boa, a organização do sistema, para atender ao lucro privado, tornou o sistema irracional e o preço da passagem impede a efetivação de condições básicas de cidadania para uma parcela expressiva das famílias brasileiras.
É preciso agora coragem política para examinar a idéia de transferir para o poder publico a gestão dos transportes públicos nas metrópoles e grandes cidades.
É comum ver alguém reclamando das pessoas dormindo da rua. Os setores ligados ao turismo, por exemplo, costumam afirmar que pessoas dormindo na rua produzem uma cena que choca o turista. Com esses estudos fica claro: quem reclama do número de pessoas dormindo na rua deveria reclamar do preço das passagens do transporte público, pois o aumento de numero de pessoas dormindo nas ruas é conseqüência imediata do aumento do valor das passagens dos transportes públicos.
O quadro que choca o turista: pessoas dormindo na rua, sem condições sanitárias, com o comprometimento da dignidade humana, de seu direito d ir e vir, é efetivamente um escândalo social e político.
Como resolver o problema?
Subsidiar as passagens é injusto socialmente e moralmente indecente porque significa transferir renda do conjunto da coletividade para o lucro do setor de transporte, que lucra com o serviço que presta.
A justificativa usada para privatizar serviços públicos foi a de que o mercado seria capaz de alocar os recursos melhor que o Estado. No entanto, fica evidente que a lucratividade das empresas de transporte público é incompatível com condições básicas de cidadania.
Os transportes públicos representam hoje um gargalo para o desenvolvimento das metrópoles e grandes cidades, que produzem mais de 80% do PIB nacional. A qualidade do transporte público não é boa, a organização do sistema, para atender ao lucro privado, tornou o sistema irracional e o preço da passagem impede a efetivação de condições básicas de cidadania para uma parcela expressiva das famílias brasileiras.
É preciso agora coragem política para examinar a idéia de transferir para o poder publico a gestão dos transportes públicos nas metrópoles e grandes cidades.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Como a crise nos EEUU está atingindo as cidades
Retirado do Viomundo: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/crise-nos-eua-como-e-de-perto-o-colapso-do-imperio.html
Como a crise nos EEUU está atingindo as cidades?
By Glenn Greenwald, no Salon
“Aqui vão alguns exemplos:”
“Muitas empresas e negócios congelaram as contratações de funcionários este ano, mas o estado do Havaí foi além — congelou os estudantes. As escolas públicas de todo o estado ficaram fechadas em 17 sextas-feiras do mais recente ano escolar, dando aos estudantes o ano acadêmico mais curto do país.”
“Muitos sistemas de transporte público reduziram serviços para cortar gastos, mas o condado de Clayton, na Geórgia, um subúrbio de Atlanta, adotou o corte total e acabou com todo o sistema público de ônibus. Os últimos ônibus circularam no dia 31 de março, deixando sem transporte 8.400 usuários por dia.”
“Mesmo a segurança pública não ficou imune ao facão no orçamento. Em Colorado Springs, a crise vai ser lembrada, literalmente, como a idade da escuridão: a cidade apagou um terço dos 24.512 postes de rua para economizar dinheiro em eletricidade, além de reduzir a força policial e vender os helicópteros da polícia.”
A apesar de o artigo apresentar informações pontuais, sugerindo que são exemplos, mas sem apresentar informações do panorama geral, pode-se considerar que os serviços públicos com previdência, educação, saúde, cultura e urbanização representam gastos do Estado que mais afetam a vida dos trabalhadores nas cidades.
Se é sobre esses gastos que incide primeiro e principalmente os cortes necessários a um ajuste fiscal, já isso é uma opção política.
De toda forma, quem ver o filme do Michael Moore, Capitalism: a love story, não terá dúvidas: a crise americana está atingindo fortemente a vida nas cidades.
Como a crise nos EEUU está atingindo as cidades?
By Glenn Greenwald, no Salon
“Aqui vão alguns exemplos:”
“Muitas empresas e negócios congelaram as contratações de funcionários este ano, mas o estado do Havaí foi além — congelou os estudantes. As escolas públicas de todo o estado ficaram fechadas em 17 sextas-feiras do mais recente ano escolar, dando aos estudantes o ano acadêmico mais curto do país.”
“Muitos sistemas de transporte público reduziram serviços para cortar gastos, mas o condado de Clayton, na Geórgia, um subúrbio de Atlanta, adotou o corte total e acabou com todo o sistema público de ônibus. Os últimos ônibus circularam no dia 31 de março, deixando sem transporte 8.400 usuários por dia.”
“Mesmo a segurança pública não ficou imune ao facão no orçamento. Em Colorado Springs, a crise vai ser lembrada, literalmente, como a idade da escuridão: a cidade apagou um terço dos 24.512 postes de rua para economizar dinheiro em eletricidade, além de reduzir a força policial e vender os helicópteros da polícia.”
A apesar de o artigo apresentar informações pontuais, sugerindo que são exemplos, mas sem apresentar informações do panorama geral, pode-se considerar que os serviços públicos com previdência, educação, saúde, cultura e urbanização representam gastos do Estado que mais afetam a vida dos trabalhadores nas cidades.
Se é sobre esses gastos que incide primeiro e principalmente os cortes necessários a um ajuste fiscal, já isso é uma opção política.
De toda forma, quem ver o filme do Michael Moore, Capitalism: a love story, não terá dúvidas: a crise americana está atingindo fortemente a vida nas cidades.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
A cidade dos sonhos: dos sonhos do capital imobiliário.
Recebi de um amigo um email com a seguinte notícia:
“Criado pela siderúrgica sul-coreana Posco e pela imobiliária nova-iorquina Gale International, o município de Songdo deverá ter um custo de US$ 40 bilhões. A meta é criar um lugar que reúna “tudo que alguém possa querer, precisar ou sonhar numa única cidade”. Essa definição aparentemente inclui “táxis aquáticos elétricos”, as torres gêmeas mais altas do planeta, um campo de golfe projetado por Jack Nicklaus, e um parque de 40 hectares no centro da cidade.”
“Qualquer um que possa gastar US$ 26 mil na educação de cada um de seus filhos certamente ficará encantado com aquela que promete ser a escola mais bem equipada do mundo, com auditório com capacidade para 650 pessoas, e seu próprio estúdio de TV. Como Songdo pretende se tornar um centro do comércio internacional, sua escola também deverá ser internacional, para abrigar os filhos dos executivos que, de acordo com a expectativa dos criadores, chegarão aos montes a partir do lançamento da cidade, em 2015.”
Trata-se então do que em sido chamado no âmbito dos debates acadêmicos sobre planejamento urbano de “grande projeto urbano”: uma operação do grande capital imobiliário que tem como meta obter lucro a partir de uma grande reestruturação do uso do solo, com geração de economias de aglomeração, pela coordenação das ações dos agentes econômicos, com forte presença de mecanismos de propaganda e marketing. Algo que já existia embrionariamente na produção dos shopping-centers, mas que, na forma como apresenta na email, aqui aparece elevado a escala da cidade, com a transformação do não urbano em urbano de uma só vez.
A propaganda promete tudo que alguém possa querer, precisar ou sonhar numa única cidade. Bem considero que duas coisas são fundamentais numa cidade. A primeira é cidadania.
A existência da cidadania, entendida como “direito à direitos”, remete a sensação de liberdade e segurança ampliada, iniciada na idade média, quando a cidade se afirmou autônoma frente a dominação feudal. A dinâmica do capital nas cidades torna posteriormente a luta pela cidadania uma luta permanente nas cidades, onde os trabalhadores precisam reconquistar sua cidadania para garantir as condições de sua integridade física e moral.
A cultura das cidades, produto de um longo processo histórico, que impregnou paisagens urbanas e práticas culturais, é que faz de uma cidade um lugar especial. Mais: é que constrói a identidade entre cada individuo e sua cidade. É o que cria e sensação de pertencimento, que faz com que cada um se sinta em casa na sua cidade.
Esses processos estão evidentemente fora das possibilidades do capital imobiliário criar.
“Criado pela siderúrgica sul-coreana Posco e pela imobiliária nova-iorquina Gale International, o município de Songdo deverá ter um custo de US$ 40 bilhões. A meta é criar um lugar que reúna “tudo que alguém possa querer, precisar ou sonhar numa única cidade”. Essa definição aparentemente inclui “táxis aquáticos elétricos”, as torres gêmeas mais altas do planeta, um campo de golfe projetado por Jack Nicklaus, e um parque de 40 hectares no centro da cidade.”
“Qualquer um que possa gastar US$ 26 mil na educação de cada um de seus filhos certamente ficará encantado com aquela que promete ser a escola mais bem equipada do mundo, com auditório com capacidade para 650 pessoas, e seu próprio estúdio de TV. Como Songdo pretende se tornar um centro do comércio internacional, sua escola também deverá ser internacional, para abrigar os filhos dos executivos que, de acordo com a expectativa dos criadores, chegarão aos montes a partir do lançamento da cidade, em 2015.”
Trata-se então do que em sido chamado no âmbito dos debates acadêmicos sobre planejamento urbano de “grande projeto urbano”: uma operação do grande capital imobiliário que tem como meta obter lucro a partir de uma grande reestruturação do uso do solo, com geração de economias de aglomeração, pela coordenação das ações dos agentes econômicos, com forte presença de mecanismos de propaganda e marketing. Algo que já existia embrionariamente na produção dos shopping-centers, mas que, na forma como apresenta na email, aqui aparece elevado a escala da cidade, com a transformação do não urbano em urbano de uma só vez.
A propaganda promete tudo que alguém possa querer, precisar ou sonhar numa única cidade. Bem considero que duas coisas são fundamentais numa cidade. A primeira é cidadania.
A existência da cidadania, entendida como “direito à direitos”, remete a sensação de liberdade e segurança ampliada, iniciada na idade média, quando a cidade se afirmou autônoma frente a dominação feudal. A dinâmica do capital nas cidades torna posteriormente a luta pela cidadania uma luta permanente nas cidades, onde os trabalhadores precisam reconquistar sua cidadania para garantir as condições de sua integridade física e moral.
A cultura das cidades, produto de um longo processo histórico, que impregnou paisagens urbanas e práticas culturais, é que faz de uma cidade um lugar especial. Mais: é que constrói a identidade entre cada individuo e sua cidade. É o que cria e sensação de pertencimento, que faz com que cada um se sinta em casa na sua cidade.
Esses processos estão evidentemente fora das possibilidades do capital imobiliário criar.
sábado, 24 de julho de 2010
Ministério Público questiona Choque de Ordem junto à SEDH
extraído do blog do Movimento Nacional da População de Rua:
http://www.falarua.org/index.php?display=journal&id=69
O Ministério Público do Rio de Janeiro enviou na quinta-feira (15/7) um ofício para a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República para denunciar a violência da Operação Choque de Ordem, executada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, contra a população em situação de rua.
O Movimento Nacional da População de Rua denuncia a intensificação da violência contra os que vivem nas ruas do Rio de Janeiro após a implementação da operação. O articulador do Movimento Nacional da População de Rua no Rio de Janeiro, Marcelo Silva, afirma que a população de rua vem sofrendo verdadeiros seqüestros. “Os agentes tiram as pessoas das ruas à força e levam para a Ilha do Governador, onde não tem mais vagas em albergue; ou levam para o Abrigo de Paciência, onde tem mais de 300 pessoas.”
O articulador deposita confiança na ação do Ministério Público. “Esperamos que com o MP do nosso lado as coisas venham a melhorar pois não queremos mais ser tratados como lixo humano”, desabafa.
Confira na íntegra o texto do promotor de Justiça Rogério Pacheco Alves:
Ilustríssimo Senhor,
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, através da 7a. Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Cidadania do Núcleo da Capital, instaurou o inquérito civil em epígrafe, com vistas a apurar, em síntese, os impactos da operação "Choque de Ordem", levada a efeito pela Prefeitura do Rio de Janeiro, sobre a população adulta em situação de rua e a eficácia da respectiva política municipal em referida área.
Ao longo das investigações algumas notícias de emprego de violência chegaram ao conhecimento do Ministério Público, aliadas a notícias de falta de políticas e equipamentos sociais adequados a solução de tão grave problema, que, com a proximidade dos grandes eventos esportivos que a Cidade abrigará nos anos de 2014 e 2016 (Copa do Mundo e Olimpíadas), tende a se agravar.
Assim, considerando os termos do Decreto Federal n. 7053, de 23 de dezembro de 2009, sobretudo os seus princípios, diretrizes e objetivos, serve o presente para solicitar a V. Sa. informações sobre a adesão do Município do Rio de Janeiro a Política Nacional para População em Situação de Rua (art 2o. parágrafo único do referido decreto), ressaltando a importância da discussão do tema entre órgão de governo e sociedade civil.
Por fim, alvitro a utilidade de uma reunião para mais ampla compreensão do problema, preferencialmente no mês de agosto próximo, colocando-se o Ministério Público a disposição para sediá-la na Cidade do Rio de Janeiro.
Colho a oportunidade para renovar protestos de estima e consideração.
Rogério Pacheco Alves
Promotor de Justiça
http://www.falarua.org/index.php?display=journal&id=69
O Ministério Público do Rio de Janeiro enviou na quinta-feira (15/7) um ofício para a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República para denunciar a violência da Operação Choque de Ordem, executada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, contra a população em situação de rua.
O Movimento Nacional da População de Rua denuncia a intensificação da violência contra os que vivem nas ruas do Rio de Janeiro após a implementação da operação. O articulador do Movimento Nacional da População de Rua no Rio de Janeiro, Marcelo Silva, afirma que a população de rua vem sofrendo verdadeiros seqüestros. “Os agentes tiram as pessoas das ruas à força e levam para a Ilha do Governador, onde não tem mais vagas em albergue; ou levam para o Abrigo de Paciência, onde tem mais de 300 pessoas.”
O articulador deposita confiança na ação do Ministério Público. “Esperamos que com o MP do nosso lado as coisas venham a melhorar pois não queremos mais ser tratados como lixo humano”, desabafa.
Confira na íntegra o texto do promotor de Justiça Rogério Pacheco Alves:
Ilustríssimo Senhor,
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, através da 7a. Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Cidadania do Núcleo da Capital, instaurou o inquérito civil em epígrafe, com vistas a apurar, em síntese, os impactos da operação "Choque de Ordem", levada a efeito pela Prefeitura do Rio de Janeiro, sobre a população adulta em situação de rua e a eficácia da respectiva política municipal em referida área.
Ao longo das investigações algumas notícias de emprego de violência chegaram ao conhecimento do Ministério Público, aliadas a notícias de falta de políticas e equipamentos sociais adequados a solução de tão grave problema, que, com a proximidade dos grandes eventos esportivos que a Cidade abrigará nos anos de 2014 e 2016 (Copa do Mundo e Olimpíadas), tende a se agravar.
Assim, considerando os termos do Decreto Federal n. 7053, de 23 de dezembro de 2009, sobretudo os seus princípios, diretrizes e objetivos, serve o presente para solicitar a V. Sa. informações sobre a adesão do Município do Rio de Janeiro a Política Nacional para População em Situação de Rua (art 2o. parágrafo único do referido decreto), ressaltando a importância da discussão do tema entre órgão de governo e sociedade civil.
Por fim, alvitro a utilidade de uma reunião para mais ampla compreensão do problema, preferencialmente no mês de agosto próximo, colocando-se o Ministério Público a disposição para sediá-la na Cidade do Rio de Janeiro.
Colho a oportunidade para renovar protestos de estima e consideração.
Rogério Pacheco Alves
Promotor de Justiça
terça-feira, 15 de junho de 2010
Olimpíadas 2016: é uma boa para o Rio?
Entrevista exclusiva realizada pelo Algo a Dizer (http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx) comigo sobre as olimpiadas de @016 no Rio.
Entrevistadores: Antonio Barreto, Cyana Leahy-Dios, Eduardo Guedes, Gustavo Dumas, Kadu Machado, Leonel Prata, Marcelo Barbosa, Maria Balé, Morgana Eneile e Roberta Miller
Olimpíadas 2016: é uma boa para o Rio?
Para falar sobre esse tema, o jornal Algo a Dizer convidou Leonardo Mesentier, arquiteto do Iphan, doutor em Urbanismo pelo Ippur/UFRJ e professor adjunto da Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFF, a participar dos debates que, toda terceira quinta-feira do mês, organiza no Sindicato dos Advogados do Rio.
Foi tão boa a palestra e as perguntas que se seguiram que tivemos a idéia de entrevistá-lo este mês. E, inovando, pedimos a ajuda dos amigos e colaboradores do jornal, de vários estados brasileiros, na elaboração das perguntas. O resultado é esta bela exposição de idéias e avaliações deste que será um evento de repercussão para o Rio e para o Brasil.
O planejamento e a gestão
Algo a Dizer - Bem, vamos a pergunta que não quer calar: porque a Olimpíada não é uma boa para o Rio?
Leonardo Mesentier -O Rio de janeiro, como toda cidade, é uma formação sócio-territorial heterogênea, onde convivem diferentes interesses. Então, antes de nos perguntarmos se o Rio ganha ou não ganha com mega eventos, como copa do mundo e olimpíadas, devemos nos perguntar: quem no Rio ganha com esses mega-eventos; quem ganha mais; e quem pode sair perdendo alguma coisa? Certamente o setor turístico fluminense ganha, mas no setor turístico também ganham alguns que estão fora do Rio. O aumento de viagens para a cidade gera ganhos para o setor hoteleiro local, mas também para agentes de viagens e companhias áreas nos locais de emissão de turistas. De toda forma, algumas análises de especialistas apontam para um retorno global de recursos significativamente maior que os recursos investidos, mas ainda não há estudos apontando claramente como serão repartidos os ganhos decorrentes do investimento olímpico.
Algo a Dizer - Como podemos, por meio desse evento mundial, 'alavancar' oportunidades de crescimento sustentável para a cidade?
Leonardo Mesentier - Admitindo a sua hipótese de que a realização de mega-eventos possam "'alavancar' oportunidades de crescimento sustentável para a cidade", há aqui dois aspectos que merecem ser observados:
1) Talvez seja bom fazer uma distinção entre os que ganham porque o evento vai se realizar como, por exemplo, o setor turístico - envolvendo não só hotelaria, mas toda a gama de bens e serviços da cidade que se beneficia do aumento da demanda turística, antes, durante e após o evento; e aqueles setores que ganham com a preparação do evento, como as grandes empreiteiras, empresas de propaganda e marketing, escritórios de arquitetura, urbanismo e engenharia, empresas de segurança e comunicação, consultorias de forma geral. A realização da Olimpíada no Rio será tão mais uma alavanca do desenvolvimento, tanto mais quanto os setores envolvidos com sua preparação sejam socialmente vinculados à cidade. Porque, na preparação dos mega-eventos, nada indica que empreiteiras, empresas de propaganda e marketing, escritórios de arquitetura, urbanismo e engenharia, empresas de segurança e comunicação e consultorias de forma geral, serão empresas locais. Ficamos sabendo hoje pelos tele jornais que o prefeito de Barcelona ao tempo das olimpíadas lá, foi contratado como consultor das olimpíadas aqui. Então, as olimpíadas do rio já geraram o primeiro emprego em Barcelona.
2) Para a abordagem do segundo aspecto que deve ser observado podemos partir de uma analogia dos mega-eventos com as Pirâmides Keynesianas. Muito simplificadamente, a idéia de uma Pirâmide Keynesiana é de realizar investimentos públicos para promover um aumento da demanda e assim impulsionar a economia. O ciclo desenvolvimentista militar fez isso e o PAC pretende o mesmo. Então, podemos estabelecer a hipótese de que a realização de um mega-evento possa atuar como uma forma de Pirâmide Keynesiana, mas aí vale a pena lembrar que a ponte Rio-Niterói foi uma Pirâmide Keynesiana, mas a Transamazônica também foi. Considerando essas duas situações, do investimento publico realizado decorreram dois resultados muito diferentes. Quanto as Olimpíadas, podemos imaginar, portanto, que dependendo do perfil do projeto a ser implementado, os resultados serão mais ou menos positivos no curto, médio e longo prazo e vão beneficiar mais a estes ou aqueles. Das grandes linhas, aos pequenos detalhes, tudo fará diferença: a localização; o programa e dimensionamento dos equipamentos; a escolha dos materiais de acabamento; a política de segurança, tudo fará diferença.
Para mim, aí está o principal problema dessa história: acho que a sociedade carioca participou e esta participando muito pouco do debate sobre o projeto Olímpico e o conhece muito pouco. E não por sua culpa, mas por falta de mecanismos democráticos de participação.
Algo a Dizer - Em sua opinião, Carlos Arthur Nuzman - o cartola do COB e o "cartola-interlocutor" com os cartolas do COI - deve centralizar todas as decisões sobre as Olimpíadas no Rio? Ou deveria se submeter às decisões do Ministério do Esporte? Ou ainda, às metas do Ministério do Turismo, do Planejamento ou da Fazenda?
Leonardo Mesentier - Pois é como eu disse, o problema é tornar a gestão do projeto olímpico a mais democrática possível e hoje estamos longe disso. É claro que a dinâmica do evento esportivo tem suas exigências e estás tem que ser respeitadas. Nesse sentido, é importante ter interlocutores adequados para condução do debate. Também é claro que diferentes esferas de poder devem contribuir da melhor forma no sentido de uma gestão compartilhada do evento, mas é preciso democratizar esse processo e permitir que as forças vivas da cidade participem diretamente desse processo. Se somos nós, os cidadãos, quem vamos pagar, então que sejamos ouvidos sobre todos os aspectos do projeto.
Algo a Dizer - Outra preocupação é com a "roubalheira generalizada". Nos Jogos Pan-americanos de 2007 foi uma vergonha. Quem cuida do planejamento financeiro para o Rio 2016? Como vão ser as prestações de contas para o Comitê Olímpico Internacional (COI)? Quem vai montar a 'equipe' que vai cuidar do dinheiro para as Olimpíadas?
Leonardo Mesentier - Sem prejulgar ninguém, em vista do montante do recurso a ser empregado, acho que quanto mais transparência melhor. Nesse sentido, acho que no caso das Olimpíadas do Rio de janeiro, se aplica a experiência já realizada pelo PT em algumas cidades: a do orçamento participativo. Orçamento participativo para as olimpíadas, aí está uma boa bandeira de luta para quem queira ver respeito ao dinheiro público e o melhor futuro para a cidade.
O Legado
Algo a Dizer - Qual o destino das obras que ficarão para depois dos Jogos? [dos Pan-americanos 2007, o Maria Lenk (natação) tornou-se obsoleto; o Engenhão (futebol) foi 'alugado' para o Botafogo, mas é um estádio onde vão poucas pessoas por causa do difícil acesso, etc.]. Ainda, você vê alguma chance de os equipamentos urbanos construídos para as Olimpíadas não se transformarem em elefantes brancos? Não custa lembrar a furada em que se meteu quem se atirou a comprar apartamentos da Vila Olímpica, no Pan...
Leonardo Mesentier - Sim, é possível que os equipamentos olímpicos não se tornem elefantes brancos após jogos, mas isso implicaria em que o projeto a partir do qual esses equipamentos venham a ser projetados e construídos, levasse em conta sua inserção urbana e fizesse parte de uma política de expansão das atividade de esporte e lazer na cidade. Isso não existiu no caso do Pan e se não vejo existir até aqui.
O projeto de expansão do lazer esportivo, que contribui para a melhoria das condições de saúde e para a melhor sociabilidade na cidade, não pode estar subssumido ao projeto olímpico. Ele deve dialogar e pode convergir no sentido do projeto olímpico, mas não desaparecer ou se subordinar.
Algo a Dizer - O Rio, quando cresce ou se "reurbaniza", como gostam de dizer os históricos limpadores de pobre da cidade, costuma refinar também os seus processos de exclusão social. Você crê que haverá uma política efetiva de desenvolvimento urbano, 'alavancada' pelas Olimpíadas, que aglutine e não crie novos nichos, novos focos de exclusão, principalmente depois das olimpíadas do Rio em 2016? Qual o ganho humano e social para as comunidades carentes cariocas, abundantes geográfica e historicamente?
Do ponto de vista de equipamentos públicos, quais as regiões que deveriam ser priorizadas e/ou melhor aproveitadas?
Leonardo Mesentier - O Rio de Janeiro é uma cidade cara ao coração e ao bolso de quem vive aqui. O metro quadrado dos imóveis se coloca entre os mais caros do Brasil e em algumas regiões entre os mais caros do mundo. As olimpíadas vão valorizar ainda mais o solo urbano; ou melhor, já valorizaram a cidade do ponto de vista imobiliário. A noticia do evento olímpico gerou um surto especulativo na cidade e, acredito, nesse momento estamos sem parâmetros de longo prazo para os preços imobiliários. Tudo isso deve acentuar a segregação social no território metropolitano.
Mas vale acentuar que uma maior ou menor alteração dos valores atuais dos imóveis vai depender também da alocação dos equipamentos nas cidades e de sua integração pós-olímpica; isto é, do quanto esses equipamentos vão propiciar esporte e lazer a população após os jogos. Ser vizinho de um bom equipamento esportivo integrado ao cotidiano de esporte e lazer da cidade é ótimo. Ser vizinho de um elefante branco é péssimo. Certamente que as expectativas geradas durante a construção do "Maria Lenk" propiciaram uma valorização especulativa de imóveis na sua vizinhança, mas estando este equipamento nas condições em que está atualmente, ele valoriza ou desvaloriza sua área da vizinhança?
Assim, quando pensamos no ganho social com o projeto olímpico, devemos levar em conta não só a geração de renda e emprego, decorrente da realização do evento e de seus desdobramentos econômicos, mas também a presença ou não, de um sentido de promoção de uma maior equidade urbana, na concepção do projeto olímpico. E como acho que cada um sabe onde lhe aperta o calo, volto a insistir na necessidade de uma participação direta dos cidadãos no projeto olímpico, o que poderá se dar através de mecanismos semelhantes aos do orçamento participativo.
Algo a Dizer - O que o entrevistado pensa sobre a situação de desvelada precariedade dos aeroportos nacionais, meios e logística de transportes para receber tão denso contingente sazonal?
Leonardo Mesentier - O sistema de transporte é um dos pontos fracos da cidade e algo terá que ser feito. Basta ver o que acontece no metro no carnaval e no réveillon para saber que, se quisermos que aqueles turistas que aqui virão para as olimpíadas retornem e/ou transmitam uma boa imagem do Rio em seus locais de origem, muitas mudanças há de haver.
Mas não é preciso esperar as olimpíadas para tomar uma providencia quanto ao que sabemos que não vai bem. As dificuldades que a oferta precária de transporte causa ao Rio constrangem o desenvolvimento da cidade hoje. Basta pensar no impacto, sobre a produtividade urbana o meio ambiente, decorrente da maior circulação de automóveis em função da precariedade do transporte público. Ou, no quanto perde a Lapa e toda a economia relacionada a vida noturna na cidade, em decorrência do metro parar de funcionar a meia noite.
Algo a Dizer - Qual o maior legado que a Olimpíada pode gerar para o Rio na área da Cultura?
Leonardo Mesentier - Acho que o maior legado cultural da olimpíada diz respeito a auto-estima de cariocas e brasileiros. A conquista desse mega-evento mudou olhar de brasileiros, fluminenses e cariocas sobre si mesmos. O reconhecimento do mundo propiciou o auto-reconhecimento. Acho que é sempre assim: os outros são o espelho que mais consideramos.
O que é importante é que esse processo de auto-valorização permite recolocar os horizontes dos projetos sociais que essas coletividades admitem para si. Essa mudança não só permite pensar numa melhor inserção no sistema nacional e global, como permite nos livrar de algumas condenações ideológicas que impingimos a nós mesmos. Frases como o Brasil não tem jeito ou Rio não tem jeito ficaram mais difíceis de dizer e, portanto, abre-se um conjunto de oportunidades de reconstrução dos horizontes políticos.
Algo a Dizer - Em sua opinião como a Cultura pode contribuir para integrar a cidade, num contexto de superexposição dos grandes eventos como a Copa 2014 e a Olimpíadas 2016? Qual o papel do Estado e qual o papel da sociedade civil?
Leonardo Mesentier - As olimpíadas são antes de tudo um mega-evento turístico e o setor turístico tem fortes sinergias com economia da cultura. A Lapa é uma evidencia do que estou dizendo. Quem vier ao Rio para as Olimpíadas vai gostar da cidade pelas praias, pela paisagem; mas também pelos museus e rodas de samba. Assim, quanto se pensa na preparação da cidade para Olimpíadas ou Copa do mundo, não se pode 'secundarizar' o cuidado com equipamentos e manifestações culturais.
Acho que, no Brasil, temos atualmente uma boa distribuição das ações entre estado e sociedade civil na política cultural.
Na sociedade civil temos assistido uma valorização significativa das expressões da identidade brasileira e regional, bem como um reconhecimento da importância da diversidade cultural, ainda que certos preconceitos sobrevivam.
No âmbito do Estado, nos últimos anos avançamos bastante em recursos materiais e humanos. No entanto, é preciso superar certa miopia na construção da relação entre projeto nacional e projeto cultural. Vale indicar também que a pouca compreensão das especificidades da cultura resulta em um pragmatismo que ao priorizar o curto prazo constitui-se em desgraça no médio prazo, implicando numa perda muito significativa de recursos culturais, e trazendo danos, muitas vezes, a signo diversidade.
Algo a Dizer - Que meios haverá em sua área para aprimorar olhares sobre a verdadeira arquitetura nacional?
Leonardo Mesentier - Pois bem, a arquitetura um dos exemplos de miopia em política cultural. Se você analisa as políticas culturais, seja na esfera federal, estadual ou municipal, dificilmente você encontrará menção a produção arquitetônico-urbanística e sua relevância como um serviço contemporâneo de ponta, passível de exportação. Qualquer historiador da arquitetura brasileira sabe que a arquitetura brasileira não teria alcançado o prestigio internacional que alcançou, nos anos 1950 e 60, sem a construção do MEC (atual Palácio Capanema), no Rio, e da Pampulha em BH.
Mas os atuais governantes preferem contratar escritórios internacionais de nomeada à promover concursos nacionais. Pessoalmente, acho que os arquitetos brasileiros têm certa responsabilidade nisso, pois na sua grande maioria estão mais voltados para a última moda da "globanilização" que envolvidos com os movimentos culturais nacionais, diferentemente dos modernistas de outrora que, sem duvidas estavam antenados no mundo, mas tinham seu espírito fortemente vinculado as questões da cultura nacional.
Agora mesmo estamos assistindo a contratação de um projeto estrangeiro, para os MIS (Museu da Imagem e do Som) em Copacabana. Porque esse projeto não foi resultado de um concurso público aberto a ampla participação dos arquitetos brasileiros. Então, Copacabana se beneficia mais que outros bairros, porque as externalidades positivas decorrentes da nova sede incidem mais por lá, mas é claro que o Rio de Janeiro ganha as melhores instalações pro MIS, pelas quais pagou. Mas o escritório de arquitetura estrangeiro ganha também.
Segurança
Algo a Dizer - Gostaria de saber como as políticas públicas, principalmente da parte da segurança, resolverão a vida dos atletas e outros visitantes das Olimpíadas. Estes todos ficarão numa espécie de "gueto", não podendo, assim, visitar ou vislumbrar as maravilhas do Rio de Janeiro? É claro que muitos querem estar com total segurança, respeito e integridade física durante o período anterior e após a realização das Olimpíadas. Contudo, até que ponto esta segurança, respeito e integridade serão observados? Pode-se garantir de que não haverá perdas de vidas de visitantes que chegarão ao Rio de Janeiro?
Leonardo Mesentier - Escrevi no passado e repito agora: a cidade é boa para o turista quando é boa para o cidadão. Sendo assim, não creio que se possa garantir ao turista uma situação de segurança melhor do que a dos que vivem aqui. Não creio em política de segurança de gueto, porque na medida em que a sensação de segurança se estabelece a tendência é de que alguns turistas procurem ir mais longe. Assim, as condições de segurança para os turistas serão mais ou menos as mesmas de outros mega-eventos que a cidade já realiza como, por exemplo, o carnaval. De toda forma, não se pode deixar de mencionar que as estatísticas apontam para uma melhora nas condições de segurança na cidade e, quero crer, a perda de controle territorial de traficantes sobre áreas da cidade vai resultar em alguma melhoria na segurança pública, mas não espero milagres.
Algo a Dizer - Como em Olimpíadas anteriores, em Munique e Atlanta, por exemplo, atentados com trágicas conseqüências são ocorrências factuais. O que o entrevistado pensa sobre o despreparo de um país como o Brasil, sem essa tradição no currículo, para edificar medidas de prevenção e controle do terrorismo internacional?
Leonardo Mesentier - Considerando que os EEUU dispõem do maior aparato de espionagem e vigilância do mundo e não conseguiram evitar a tragédia do '11 de setembro', então não posso supor que existam garantias absolutas contra o terrorismo, mas creio que o Brasil tem a seu favor o fato de não termos constituído elementos de rancor político e no atual momento estamos nos pautando por uma melhora na tolerância religiosa, étnica e ideológica. O que torna menos provável uma ação terrorista nas olimpíadas que realizaremos.
contato@algoadizer.com.br
Entrevistadores: Antonio Barreto, Cyana Leahy-Dios, Eduardo Guedes, Gustavo Dumas, Kadu Machado, Leonel Prata, Marcelo Barbosa, Maria Balé, Morgana Eneile e Roberta Miller
Olimpíadas 2016: é uma boa para o Rio?
Para falar sobre esse tema, o jornal Algo a Dizer convidou Leonardo Mesentier, arquiteto do Iphan, doutor em Urbanismo pelo Ippur/UFRJ e professor adjunto da Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFF, a participar dos debates que, toda terceira quinta-feira do mês, organiza no Sindicato dos Advogados do Rio.
Foi tão boa a palestra e as perguntas que se seguiram que tivemos a idéia de entrevistá-lo este mês. E, inovando, pedimos a ajuda dos amigos e colaboradores do jornal, de vários estados brasileiros, na elaboração das perguntas. O resultado é esta bela exposição de idéias e avaliações deste que será um evento de repercussão para o Rio e para o Brasil.
O planejamento e a gestão
Algo a Dizer - Bem, vamos a pergunta que não quer calar: porque a Olimpíada não é uma boa para o Rio?
Leonardo Mesentier -O Rio de janeiro, como toda cidade, é uma formação sócio-territorial heterogênea, onde convivem diferentes interesses. Então, antes de nos perguntarmos se o Rio ganha ou não ganha com mega eventos, como copa do mundo e olimpíadas, devemos nos perguntar: quem no Rio ganha com esses mega-eventos; quem ganha mais; e quem pode sair perdendo alguma coisa? Certamente o setor turístico fluminense ganha, mas no setor turístico também ganham alguns que estão fora do Rio. O aumento de viagens para a cidade gera ganhos para o setor hoteleiro local, mas também para agentes de viagens e companhias áreas nos locais de emissão de turistas. De toda forma, algumas análises de especialistas apontam para um retorno global de recursos significativamente maior que os recursos investidos, mas ainda não há estudos apontando claramente como serão repartidos os ganhos decorrentes do investimento olímpico.
Algo a Dizer - Como podemos, por meio desse evento mundial, 'alavancar' oportunidades de crescimento sustentável para a cidade?
Leonardo Mesentier - Admitindo a sua hipótese de que a realização de mega-eventos possam "'alavancar' oportunidades de crescimento sustentável para a cidade", há aqui dois aspectos que merecem ser observados:
1) Talvez seja bom fazer uma distinção entre os que ganham porque o evento vai se realizar como, por exemplo, o setor turístico - envolvendo não só hotelaria, mas toda a gama de bens e serviços da cidade que se beneficia do aumento da demanda turística, antes, durante e após o evento; e aqueles setores que ganham com a preparação do evento, como as grandes empreiteiras, empresas de propaganda e marketing, escritórios de arquitetura, urbanismo e engenharia, empresas de segurança e comunicação, consultorias de forma geral. A realização da Olimpíada no Rio será tão mais uma alavanca do desenvolvimento, tanto mais quanto os setores envolvidos com sua preparação sejam socialmente vinculados à cidade. Porque, na preparação dos mega-eventos, nada indica que empreiteiras, empresas de propaganda e marketing, escritórios de arquitetura, urbanismo e engenharia, empresas de segurança e comunicação e consultorias de forma geral, serão empresas locais. Ficamos sabendo hoje pelos tele jornais que o prefeito de Barcelona ao tempo das olimpíadas lá, foi contratado como consultor das olimpíadas aqui. Então, as olimpíadas do rio já geraram o primeiro emprego em Barcelona.
2) Para a abordagem do segundo aspecto que deve ser observado podemos partir de uma analogia dos mega-eventos com as Pirâmides Keynesianas. Muito simplificadamente, a idéia de uma Pirâmide Keynesiana é de realizar investimentos públicos para promover um aumento da demanda e assim impulsionar a economia. O ciclo desenvolvimentista militar fez isso e o PAC pretende o mesmo. Então, podemos estabelecer a hipótese de que a realização de um mega-evento possa atuar como uma forma de Pirâmide Keynesiana, mas aí vale a pena lembrar que a ponte Rio-Niterói foi uma Pirâmide Keynesiana, mas a Transamazônica também foi. Considerando essas duas situações, do investimento publico realizado decorreram dois resultados muito diferentes. Quanto as Olimpíadas, podemos imaginar, portanto, que dependendo do perfil do projeto a ser implementado, os resultados serão mais ou menos positivos no curto, médio e longo prazo e vão beneficiar mais a estes ou aqueles. Das grandes linhas, aos pequenos detalhes, tudo fará diferença: a localização; o programa e dimensionamento dos equipamentos; a escolha dos materiais de acabamento; a política de segurança, tudo fará diferença.
Para mim, aí está o principal problema dessa história: acho que a sociedade carioca participou e esta participando muito pouco do debate sobre o projeto Olímpico e o conhece muito pouco. E não por sua culpa, mas por falta de mecanismos democráticos de participação.
Algo a Dizer - Em sua opinião, Carlos Arthur Nuzman - o cartola do COB e o "cartola-interlocutor" com os cartolas do COI - deve centralizar todas as decisões sobre as Olimpíadas no Rio? Ou deveria se submeter às decisões do Ministério do Esporte? Ou ainda, às metas do Ministério do Turismo, do Planejamento ou da Fazenda?
Leonardo Mesentier - Pois é como eu disse, o problema é tornar a gestão do projeto olímpico a mais democrática possível e hoje estamos longe disso. É claro que a dinâmica do evento esportivo tem suas exigências e estás tem que ser respeitadas. Nesse sentido, é importante ter interlocutores adequados para condução do debate. Também é claro que diferentes esferas de poder devem contribuir da melhor forma no sentido de uma gestão compartilhada do evento, mas é preciso democratizar esse processo e permitir que as forças vivas da cidade participem diretamente desse processo. Se somos nós, os cidadãos, quem vamos pagar, então que sejamos ouvidos sobre todos os aspectos do projeto.
Algo a Dizer - Outra preocupação é com a "roubalheira generalizada". Nos Jogos Pan-americanos de 2007 foi uma vergonha. Quem cuida do planejamento financeiro para o Rio 2016? Como vão ser as prestações de contas para o Comitê Olímpico Internacional (COI)? Quem vai montar a 'equipe' que vai cuidar do dinheiro para as Olimpíadas?
Leonardo Mesentier - Sem prejulgar ninguém, em vista do montante do recurso a ser empregado, acho que quanto mais transparência melhor. Nesse sentido, acho que no caso das Olimpíadas do Rio de janeiro, se aplica a experiência já realizada pelo PT em algumas cidades: a do orçamento participativo. Orçamento participativo para as olimpíadas, aí está uma boa bandeira de luta para quem queira ver respeito ao dinheiro público e o melhor futuro para a cidade.
O Legado
Algo a Dizer - Qual o destino das obras que ficarão para depois dos Jogos? [dos Pan-americanos 2007, o Maria Lenk (natação) tornou-se obsoleto; o Engenhão (futebol) foi 'alugado' para o Botafogo, mas é um estádio onde vão poucas pessoas por causa do difícil acesso, etc.]. Ainda, você vê alguma chance de os equipamentos urbanos construídos para as Olimpíadas não se transformarem em elefantes brancos? Não custa lembrar a furada em que se meteu quem se atirou a comprar apartamentos da Vila Olímpica, no Pan...
Leonardo Mesentier - Sim, é possível que os equipamentos olímpicos não se tornem elefantes brancos após jogos, mas isso implicaria em que o projeto a partir do qual esses equipamentos venham a ser projetados e construídos, levasse em conta sua inserção urbana e fizesse parte de uma política de expansão das atividade de esporte e lazer na cidade. Isso não existiu no caso do Pan e se não vejo existir até aqui.
O projeto de expansão do lazer esportivo, que contribui para a melhoria das condições de saúde e para a melhor sociabilidade na cidade, não pode estar subssumido ao projeto olímpico. Ele deve dialogar e pode convergir no sentido do projeto olímpico, mas não desaparecer ou se subordinar.
Algo a Dizer - O Rio, quando cresce ou se "reurbaniza", como gostam de dizer os históricos limpadores de pobre da cidade, costuma refinar também os seus processos de exclusão social. Você crê que haverá uma política efetiva de desenvolvimento urbano, 'alavancada' pelas Olimpíadas, que aglutine e não crie novos nichos, novos focos de exclusão, principalmente depois das olimpíadas do Rio em 2016? Qual o ganho humano e social para as comunidades carentes cariocas, abundantes geográfica e historicamente?
Do ponto de vista de equipamentos públicos, quais as regiões que deveriam ser priorizadas e/ou melhor aproveitadas?
Leonardo Mesentier - O Rio de Janeiro é uma cidade cara ao coração e ao bolso de quem vive aqui. O metro quadrado dos imóveis se coloca entre os mais caros do Brasil e em algumas regiões entre os mais caros do mundo. As olimpíadas vão valorizar ainda mais o solo urbano; ou melhor, já valorizaram a cidade do ponto de vista imobiliário. A noticia do evento olímpico gerou um surto especulativo na cidade e, acredito, nesse momento estamos sem parâmetros de longo prazo para os preços imobiliários. Tudo isso deve acentuar a segregação social no território metropolitano.
Mas vale acentuar que uma maior ou menor alteração dos valores atuais dos imóveis vai depender também da alocação dos equipamentos nas cidades e de sua integração pós-olímpica; isto é, do quanto esses equipamentos vão propiciar esporte e lazer a população após os jogos. Ser vizinho de um bom equipamento esportivo integrado ao cotidiano de esporte e lazer da cidade é ótimo. Ser vizinho de um elefante branco é péssimo. Certamente que as expectativas geradas durante a construção do "Maria Lenk" propiciaram uma valorização especulativa de imóveis na sua vizinhança, mas estando este equipamento nas condições em que está atualmente, ele valoriza ou desvaloriza sua área da vizinhança?
Assim, quando pensamos no ganho social com o projeto olímpico, devemos levar em conta não só a geração de renda e emprego, decorrente da realização do evento e de seus desdobramentos econômicos, mas também a presença ou não, de um sentido de promoção de uma maior equidade urbana, na concepção do projeto olímpico. E como acho que cada um sabe onde lhe aperta o calo, volto a insistir na necessidade de uma participação direta dos cidadãos no projeto olímpico, o que poderá se dar através de mecanismos semelhantes aos do orçamento participativo.
Algo a Dizer - O que o entrevistado pensa sobre a situação de desvelada precariedade dos aeroportos nacionais, meios e logística de transportes para receber tão denso contingente sazonal?
Leonardo Mesentier - O sistema de transporte é um dos pontos fracos da cidade e algo terá que ser feito. Basta ver o que acontece no metro no carnaval e no réveillon para saber que, se quisermos que aqueles turistas que aqui virão para as olimpíadas retornem e/ou transmitam uma boa imagem do Rio em seus locais de origem, muitas mudanças há de haver.
Mas não é preciso esperar as olimpíadas para tomar uma providencia quanto ao que sabemos que não vai bem. As dificuldades que a oferta precária de transporte causa ao Rio constrangem o desenvolvimento da cidade hoje. Basta pensar no impacto, sobre a produtividade urbana o meio ambiente, decorrente da maior circulação de automóveis em função da precariedade do transporte público. Ou, no quanto perde a Lapa e toda a economia relacionada a vida noturna na cidade, em decorrência do metro parar de funcionar a meia noite.
Algo a Dizer - Qual o maior legado que a Olimpíada pode gerar para o Rio na área da Cultura?
Leonardo Mesentier - Acho que o maior legado cultural da olimpíada diz respeito a auto-estima de cariocas e brasileiros. A conquista desse mega-evento mudou olhar de brasileiros, fluminenses e cariocas sobre si mesmos. O reconhecimento do mundo propiciou o auto-reconhecimento. Acho que é sempre assim: os outros são o espelho que mais consideramos.
O que é importante é que esse processo de auto-valorização permite recolocar os horizontes dos projetos sociais que essas coletividades admitem para si. Essa mudança não só permite pensar numa melhor inserção no sistema nacional e global, como permite nos livrar de algumas condenações ideológicas que impingimos a nós mesmos. Frases como o Brasil não tem jeito ou Rio não tem jeito ficaram mais difíceis de dizer e, portanto, abre-se um conjunto de oportunidades de reconstrução dos horizontes políticos.
Algo a Dizer - Em sua opinião como a Cultura pode contribuir para integrar a cidade, num contexto de superexposição dos grandes eventos como a Copa 2014 e a Olimpíadas 2016? Qual o papel do Estado e qual o papel da sociedade civil?
Leonardo Mesentier - As olimpíadas são antes de tudo um mega-evento turístico e o setor turístico tem fortes sinergias com economia da cultura. A Lapa é uma evidencia do que estou dizendo. Quem vier ao Rio para as Olimpíadas vai gostar da cidade pelas praias, pela paisagem; mas também pelos museus e rodas de samba. Assim, quanto se pensa na preparação da cidade para Olimpíadas ou Copa do mundo, não se pode 'secundarizar' o cuidado com equipamentos e manifestações culturais.
Acho que, no Brasil, temos atualmente uma boa distribuição das ações entre estado e sociedade civil na política cultural.
Na sociedade civil temos assistido uma valorização significativa das expressões da identidade brasileira e regional, bem como um reconhecimento da importância da diversidade cultural, ainda que certos preconceitos sobrevivam.
No âmbito do Estado, nos últimos anos avançamos bastante em recursos materiais e humanos. No entanto, é preciso superar certa miopia na construção da relação entre projeto nacional e projeto cultural. Vale indicar também que a pouca compreensão das especificidades da cultura resulta em um pragmatismo que ao priorizar o curto prazo constitui-se em desgraça no médio prazo, implicando numa perda muito significativa de recursos culturais, e trazendo danos, muitas vezes, a signo diversidade.
Algo a Dizer - Que meios haverá em sua área para aprimorar olhares sobre a verdadeira arquitetura nacional?
Leonardo Mesentier - Pois bem, a arquitetura um dos exemplos de miopia em política cultural. Se você analisa as políticas culturais, seja na esfera federal, estadual ou municipal, dificilmente você encontrará menção a produção arquitetônico-urbanística e sua relevância como um serviço contemporâneo de ponta, passível de exportação. Qualquer historiador da arquitetura brasileira sabe que a arquitetura brasileira não teria alcançado o prestigio internacional que alcançou, nos anos 1950 e 60, sem a construção do MEC (atual Palácio Capanema), no Rio, e da Pampulha em BH.
Mas os atuais governantes preferem contratar escritórios internacionais de nomeada à promover concursos nacionais. Pessoalmente, acho que os arquitetos brasileiros têm certa responsabilidade nisso, pois na sua grande maioria estão mais voltados para a última moda da "globanilização" que envolvidos com os movimentos culturais nacionais, diferentemente dos modernistas de outrora que, sem duvidas estavam antenados no mundo, mas tinham seu espírito fortemente vinculado as questões da cultura nacional.
Agora mesmo estamos assistindo a contratação de um projeto estrangeiro, para os MIS (Museu da Imagem e do Som) em Copacabana. Porque esse projeto não foi resultado de um concurso público aberto a ampla participação dos arquitetos brasileiros. Então, Copacabana se beneficia mais que outros bairros, porque as externalidades positivas decorrentes da nova sede incidem mais por lá, mas é claro que o Rio de Janeiro ganha as melhores instalações pro MIS, pelas quais pagou. Mas o escritório de arquitetura estrangeiro ganha também.
Segurança
Algo a Dizer - Gostaria de saber como as políticas públicas, principalmente da parte da segurança, resolverão a vida dos atletas e outros visitantes das Olimpíadas. Estes todos ficarão numa espécie de "gueto", não podendo, assim, visitar ou vislumbrar as maravilhas do Rio de Janeiro? É claro que muitos querem estar com total segurança, respeito e integridade física durante o período anterior e após a realização das Olimpíadas. Contudo, até que ponto esta segurança, respeito e integridade serão observados? Pode-se garantir de que não haverá perdas de vidas de visitantes que chegarão ao Rio de Janeiro?
Leonardo Mesentier - Escrevi no passado e repito agora: a cidade é boa para o turista quando é boa para o cidadão. Sendo assim, não creio que se possa garantir ao turista uma situação de segurança melhor do que a dos que vivem aqui. Não creio em política de segurança de gueto, porque na medida em que a sensação de segurança se estabelece a tendência é de que alguns turistas procurem ir mais longe. Assim, as condições de segurança para os turistas serão mais ou menos as mesmas de outros mega-eventos que a cidade já realiza como, por exemplo, o carnaval. De toda forma, não se pode deixar de mencionar que as estatísticas apontam para uma melhora nas condições de segurança na cidade e, quero crer, a perda de controle territorial de traficantes sobre áreas da cidade vai resultar em alguma melhoria na segurança pública, mas não espero milagres.
Algo a Dizer - Como em Olimpíadas anteriores, em Munique e Atlanta, por exemplo, atentados com trágicas conseqüências são ocorrências factuais. O que o entrevistado pensa sobre o despreparo de um país como o Brasil, sem essa tradição no currículo, para edificar medidas de prevenção e controle do terrorismo internacional?
Leonardo Mesentier - Considerando que os EEUU dispõem do maior aparato de espionagem e vigilância do mundo e não conseguiram evitar a tragédia do '11 de setembro', então não posso supor que existam garantias absolutas contra o terrorismo, mas creio que o Brasil tem a seu favor o fato de não termos constituído elementos de rancor político e no atual momento estamos nos pautando por uma melhora na tolerância religiosa, étnica e ideológica. O que torna menos provável uma ação terrorista nas olimpíadas que realizaremos.
contato@algoadizer.com.br
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
O Carnaval no Rio de Janeiro.
O carnaval é uma explosão de criatividade artística. Fantasias, músicas, alegorias são renovadas de ano um para outro, necessariamente. Os foliões criam personagens através de fantasias, e assim recriam a si mesmos, refazem suas identidades e promovendo, muitas vezes, a critica social.
Os ranchos, os maracatus, blocos e as escolas de samba são organizações coletivas espontâneas, com a finalidade de principal de promover a troca cultural na sociedade. E, pelo menos em sua origem, são autônomas em relação ao Estado e realizam uma troca gratuita de valores culturais.
O carnaval é a festa do artista popular e da arte popular, por excelência, ainda que os famosos tenham descoberto uma forma de ganhar com situação. Músicos, bailarinos, figurinistas; nas ruas, nos desfiles; com as mais diferentes e surpreendentes fantasias, dissolvem identidades e mecanismos de distinção social. O carnaval se torna, portanto, a festa que possibilita o relacionamento transversal das classes sócias e grupos de renda, na sociedade contemporânea.
O filosofo Adolfo Sánchez Vasquez, estudando a estética de Marx, sugere que a criatividade é o que distingue, a nós humanos, dos outros animais. A criatividade é manifestação do desejo de humanização do mundo. É anti-alienação. É por meio de sua criatividade que a sociedade humana transforma o ‘mundo natural’ em ‘mundo humano’.
Nesse sentido o carnaval é uma grande explosão de humanização do mundo. E é preciso considerar ainda que tudo, no carnaval, converge para uma grande festa de confraternização coletiva, no espaço público.
Explosão de criatividade humana, humanização do mundo, apagamento de distinções sociais, festa popular no espaço público. O carnaval mais que a prova, é a expressão do desejo coletivo de “um outro mundo possível”. É a grande utopia alegre.
Os ranchos, os maracatus, blocos e as escolas de samba são organizações coletivas espontâneas, com a finalidade de principal de promover a troca cultural na sociedade. E, pelo menos em sua origem, são autônomas em relação ao Estado e realizam uma troca gratuita de valores culturais.
O carnaval é a festa do artista popular e da arte popular, por excelência, ainda que os famosos tenham descoberto uma forma de ganhar com situação. Músicos, bailarinos, figurinistas; nas ruas, nos desfiles; com as mais diferentes e surpreendentes fantasias, dissolvem identidades e mecanismos de distinção social. O carnaval se torna, portanto, a festa que possibilita o relacionamento transversal das classes sócias e grupos de renda, na sociedade contemporânea.
O filosofo Adolfo Sánchez Vasquez, estudando a estética de Marx, sugere que a criatividade é o que distingue, a nós humanos, dos outros animais. A criatividade é manifestação do desejo de humanização do mundo. É anti-alienação. É por meio de sua criatividade que a sociedade humana transforma o ‘mundo natural’ em ‘mundo humano’.
Nesse sentido o carnaval é uma grande explosão de humanização do mundo. E é preciso considerar ainda que tudo, no carnaval, converge para uma grande festa de confraternização coletiva, no espaço público.
Explosão de criatividade humana, humanização do mundo, apagamento de distinções sociais, festa popular no espaço público. O carnaval mais que a prova, é a expressão do desejo coletivo de “um outro mundo possível”. É a grande utopia alegre.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Quero meu metro de volta.
O mandato do Deputado Alessandro Mollon tomou uma iniciativa que é positiva. Um abaixo assinado indicando que “A nova forma de operação do Metrô Rio piorou muito a qualidade dos serviços e reivindicando Por isso “o retorno à forma de operação anterior, respeitando o traçado original de suas linhas e a construção da extensão da linha 2 da estação Estácio à estação Carioca, passando pela estação Praça da Cruz Vermelha, a ser construída, como projetado inicialmente.”
Quanto se trata de cobrar do metro é pouco mais já é alguma coisa. O metro tem pintado e bordado com a cidade do Rio de Janeiro: não circula noite, tornou-se desconfortável e oferece poucos carros. No reveion assistimos filas que maltratam o cidadão e comprometem a imagem da cidade junto aos turistas e, mais, o metro só oferece passagens de acesso a Copacabana em poucas estações, o que obriga, por exemplo, aquele cidadão ou turista que tem como trajeto regular, por exemplo, uma viagem da Tijuca para Copacabana, a saltar em outra estação (Carioca) entrar na fila. Assim, para comprar uma passagem o cidadão ou turista tem que pagar duas. Seria isso crime contra a economia popular?
Todo apoio ao abaixo assinado.
Assine e divulgue o abaixo – assinado: http://www.petitiononline.com/metrorio/petition.html
A entrada em operação da ligação direta Pavuna-Botafogo significou o aprofundamento da deterioração de um serviço que, nos últimos tempos, já deixava muito a desejar. O metrô, que já foi orgulho do carioca pela excelência dos serviços prestados, hoje em dia impõe a seus usuários uma rotina de atrasos, estações superlotadas, funcionamento deficiente do sistema de refrigeração dos trens, entre outros problemas.
Por tudo isso, estou entrando com uma ação popular pedindo a anulação da prorrogação do contrato de concessão da concessionária Metrô Rio feita pelo governo estadual em 2007, em troca desta malfadada obra no sistema.
Tomei, também, a iniciativa de colocar na rede um abaixo-assinado reivindicando o retorno à forma de operação anterior, respeitando o traçado original de suas linhas, e a construção da extensão da linha 2 da estação Estácio à estação Carioca, passando pela estação Praça da Cruz Vermelha, a ser construída, como projetado inicialmente.
Para que todos que assim o quiserem possam expressar sua indignação e apresentar suas propostas, criamos um fórum de debates no Orkut: a comunidade Quero meu metrô de volta.
Assista a entrevista exibida hoje (12/01) pela TV Brasil
Ouça também a entrevista concedida à Lucia Hipólito da Rádio CBN
Leia a matéria de "O Globo" sobre o nosso protesto
Participe da comunidade "Quero o meu Metrô de volta" no Orkut
Incorpore a logo da campanha ao seu Twitter no Twibbon
Participe!
Vamos fazer valer os nossos direitos!
Assine e divulgue
o abaixo – assinado
Quanto se trata de cobrar do metro é pouco mais já é alguma coisa. O metro tem pintado e bordado com a cidade do Rio de Janeiro: não circula noite, tornou-se desconfortável e oferece poucos carros. No reveion assistimos filas que maltratam o cidadão e comprometem a imagem da cidade junto aos turistas e, mais, o metro só oferece passagens de acesso a Copacabana em poucas estações, o que obriga, por exemplo, aquele cidadão ou turista que tem como trajeto regular, por exemplo, uma viagem da Tijuca para Copacabana, a saltar em outra estação (Carioca) entrar na fila. Assim, para comprar uma passagem o cidadão ou turista tem que pagar duas. Seria isso crime contra a economia popular?
Todo apoio ao abaixo assinado.
Assine e divulgue o abaixo – assinado: http://www.petitiononline.com/metrorio/petition.html
A entrada em operação da ligação direta Pavuna-Botafogo significou o aprofundamento da deterioração de um serviço que, nos últimos tempos, já deixava muito a desejar. O metrô, que já foi orgulho do carioca pela excelência dos serviços prestados, hoje em dia impõe a seus usuários uma rotina de atrasos, estações superlotadas, funcionamento deficiente do sistema de refrigeração dos trens, entre outros problemas.
Por tudo isso, estou entrando com uma ação popular pedindo a anulação da prorrogação do contrato de concessão da concessionária Metrô Rio feita pelo governo estadual em 2007, em troca desta malfadada obra no sistema.
Tomei, também, a iniciativa de colocar na rede um abaixo-assinado reivindicando o retorno à forma de operação anterior, respeitando o traçado original de suas linhas, e a construção da extensão da linha 2 da estação Estácio à estação Carioca, passando pela estação Praça da Cruz Vermelha, a ser construída, como projetado inicialmente.
Para que todos que assim o quiserem possam expressar sua indignação e apresentar suas propostas, criamos um fórum de debates no Orkut: a comunidade Quero meu metrô de volta.
Assista a entrevista exibida hoje (12/01) pela TV Brasil
Ouça também a entrevista concedida à Lucia Hipólito da Rádio CBN
Leia a matéria de "O Globo" sobre o nosso protesto
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o abaixo – assinado
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Guerra fiscal
Dentro da lógica neoliberal da competitividade, surgiu a doutrina de que, para atrair empresas e gerar renda e emprego, Estados e Municípios deveriam concorrer entre si, através de renuncia fiscal. A idéia com o tempo perdeu força, mas ainda sobrevive.
Essa idéia perdeu força porque, além de colocar em risco o equilíbrio fiscal do país, a renuncia fiscal é uma ilusão, tanto empresas, quanto para os Estados e Municípios.
Em primeiro lugar, deve-se considerar que as atividades desenvolvidas pelo setor público, são necessárias ao desenvolvimento econômico. Por exemplo: se há mais empresas na cidade, é provável que existam mais veículos, então é preciso que existam mais ruas e mais manutenção das ruas, dos sinais de transito, da iluminação, etc. O mesmo se pode dizer dos demais serviços, como saúde, educação e cultural.
A presença do Setor Publico é, portanto, necessária ao desenvolvimento da economia e aumentou ao longo do tempo, em decorrência, entre outros fatores, da complexificação da divisão social do trabalho, do desenvolvimento da cidadania e do incremento da urbanização. Essas três tendências estão ligadas entre si e evidenciam um grau cada vez maior de socialização do modo de vida.
A médio prazo, portanto, a renuncia fiscal acabará sendo uma armadilha, tanto para empresas, quanto para o Setor Público, pois implicará num constrangimento à atuação do Setor Público e no conseqüente desequilíbrio na relação deste Setor com a iniciativa privada.
Raciocinando por absurdo, se a renuncia fiscal fosse um procedimento válido, a situação ideal seria aquela em Estado não cobrasse nenhum imposto e, conseqüentemente não prestasse nenhum serviço.
Por outro lado, basta considerar os possíveis desdobramentos da renuncia fiscal para compreender as incongruências contidas nessa solução. Com a queda na arrecadação as alternativas, para Estado e Município, seriam as seguintes:
1- perder receita e degradar serviços públicos, o que se traduzirá, mais sedo ou mais tarde, em queda de produtividade e prejuízo para as empresas;
2- reduzir da arrecadação cobrada das empresas, mas compensar essa redução com o aumento da arrecadação sobre as das famílias, que se traduzirá, mais sedo ou mais tarde, em aumento dos custos de mão de obra e retração do mercado local para as empresas;
3- privatizar os serviços públicos, mas o que as empresas deixarem pagar em impostos, passarão a pagar na compra direta dos serviços privatizados, provavelmente a um preço mais elevado.
Em qualquer uma dessas hipóteses, quando os efeitos negativos se fizerem presentes as empresas já terão realizado seus investimentos e, portanto, não terão como fugir dos prejuízos.
No entanto, para empresas exportadoras, que empregam uma quantia de capital em relação ao trabalho, numa proporção maior que as demais, os efeitos negativos se farão num prazo bem maior. Mas um dia eles chegam, porque ninguém pode ser prospero num ambiente econômico em degradação.
Essa idéia perdeu força porque, além de colocar em risco o equilíbrio fiscal do país, a renuncia fiscal é uma ilusão, tanto empresas, quanto para os Estados e Municípios.
Em primeiro lugar, deve-se considerar que as atividades desenvolvidas pelo setor público, são necessárias ao desenvolvimento econômico. Por exemplo: se há mais empresas na cidade, é provável que existam mais veículos, então é preciso que existam mais ruas e mais manutenção das ruas, dos sinais de transito, da iluminação, etc. O mesmo se pode dizer dos demais serviços, como saúde, educação e cultural.
A presença do Setor Publico é, portanto, necessária ao desenvolvimento da economia e aumentou ao longo do tempo, em decorrência, entre outros fatores, da complexificação da divisão social do trabalho, do desenvolvimento da cidadania e do incremento da urbanização. Essas três tendências estão ligadas entre si e evidenciam um grau cada vez maior de socialização do modo de vida.
A médio prazo, portanto, a renuncia fiscal acabará sendo uma armadilha, tanto para empresas, quanto para o Setor Público, pois implicará num constrangimento à atuação do Setor Público e no conseqüente desequilíbrio na relação deste Setor com a iniciativa privada.
Raciocinando por absurdo, se a renuncia fiscal fosse um procedimento válido, a situação ideal seria aquela em Estado não cobrasse nenhum imposto e, conseqüentemente não prestasse nenhum serviço.
Por outro lado, basta considerar os possíveis desdobramentos da renuncia fiscal para compreender as incongruências contidas nessa solução. Com a queda na arrecadação as alternativas, para Estado e Município, seriam as seguintes:
1- perder receita e degradar serviços públicos, o que se traduzirá, mais sedo ou mais tarde, em queda de produtividade e prejuízo para as empresas;
2- reduzir da arrecadação cobrada das empresas, mas compensar essa redução com o aumento da arrecadação sobre as das famílias, que se traduzirá, mais sedo ou mais tarde, em aumento dos custos de mão de obra e retração do mercado local para as empresas;
3- privatizar os serviços públicos, mas o que as empresas deixarem pagar em impostos, passarão a pagar na compra direta dos serviços privatizados, provavelmente a um preço mais elevado.
Em qualquer uma dessas hipóteses, quando os efeitos negativos se fizerem presentes as empresas já terão realizado seus investimentos e, portanto, não terão como fugir dos prejuízos.
No entanto, para empresas exportadoras, que empregam uma quantia de capital em relação ao trabalho, numa proporção maior que as demais, os efeitos negativos se farão num prazo bem maior. Mas um dia eles chegam, porque ninguém pode ser prospero num ambiente econômico em degradação.
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